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BALADA E ROTINA

Postado por greluwill


O dia no AP comprovou tudo o que eu já estava refletindo fazia tempo. Ir todo final-de-semana para a balada parece algo compulsório para alguns, no sentido de você não ter nada melhor para fazer e sem opção de lazer tornar seu final de semana uma rotina, um ciclo vicioso...Balada, balada, balada e mais balada...Até mesmo porquê acaba sendo um efeito dominó – o amigo vai com mais uma dúzia de amigos e ai o fervo toma conta de você. Sempre os mesmos papos, as mesmas pessoas, as mesmas roupas, no fundo quase todo mundo tentando ser a cópia de algo, reproduzindo comportamentos e modos de vida fabricados pela indústria cultural e geral, ou seja, uma fábrica de “kitsch” além, é claro, da nostalgia total, por diálogos forçados e simpatias oblíquas. Muitos quando já estão dentro da balada, são forçados a se animarem, ir no embalo e animação dos outros, e este contágio de alegria acaba sendo superficial, efêmero e falso, pois o indivíduo tem a percepção da contentação e não ela por si própria. É notório que as pessoas querem estravazar, tirar a responsabilidade de ter que agüentar a si mesmas e seus problemas, despejar suas frustrações e esquecer o cotidiano, e grande parte pensa que pode fazê-lo em apenas em dois dias ou mais alguns de balada (sábado e domingo), mas não podem, e ai o que se agrava é essa dicotomia entre lazer para descansar e lazer para se mostrar. Em função destes fatos e de outros é o acumulo da carência que permeia por todos nós que agrava ainda mais esse processo da rotina do lazer e tentativa de realizar-se sentimentalmente nas baladas, pois a carência está sempre ali à estreita esperando essa negação que temos de ser a causa de si próprios, de poder dizer: “sou porque quero; ser o próprio começo”, de não se sentir parte dessa padronização da existência pelo viés do consumo conspícuo. Alguns, penso eu, até conseguem se encontrar dentro desse mundo noturno gls, entretanto quando esse convívio é forçado nota-se uma performance efêmera da satisfação pessoal, pois o indivíduo torna seu tempo livre uma rotina paralela aquela em que vive durante a semana, inserido-se dessa maneira em uma bolha de baladas e outros simulacros de diversão- que ao caírem na rotina - reproduzem a falsa sensação de alegria e prazer. Muitos se enganam dizendo que se divertem e se satisfazem pessoalmente nesses locais. Encontrar o gozo e o prazer pode exigir, às vezes, alternativas não muito simples, sendo muitas vezes necessário encarar e entender a tristeza como sendo a contra-face para a “felicidade”, pois o mal-estar da civilização contemporânea exige cada vez mais o prazer imediato e pouca reflexão sobre os sentimentos que são necessários entender para viver melhor consigo.

by Gregor

1 comentários:

Anônimo disse...

Eu concordo tbm, eu tbm já vejo a balada tipo como algo ligado ao lado bem ao sentimental da pessoa (lógico ela também pode servir para rever amigos, covnersar etc) mas em geral está ligada a "caça" a necessidade de se arrumar sair dançar criar a falsa ilusão de felicidade como mentado ai, tudo movido a interesses, de encontrar alguém que te ame de verdade e Oh oh oh, mas depois de muita desilusão eu sou uma prova viva de que nem sempre isso é possível, talvez dai venha a minha falta de interesse por baladas... sair pela manha de domingo triste sozinho acabado passando frio e ainda passar o domingo todo de porre (consequência daquela bebida para "destravar" os sentimentos rsrs) ai ai é mais triste ainda... você lá com 1000 pessoas em volta mas se sentindo sozinho... dançando fazendo um "carão" achando até o último minuto do que alguém vai chegar em você e te tomar nos braços e dizer "eu te amo" oh oh rsrs nem sempre percebemos que nossa alegria realmente é tão ficticia quanto aquele boy de amor puro e sincero que esperamos encontrar lá na porta do darkroom kkkkk aloka
adorei o post!